terça-feira, 13 de setembro de 2011

O QUE FAZER


Eu não quero
Não quero mais fazer isso
Ou não fazer aquilo
E desfazer isso
E deitar com a cabeça pesando mais que um quilo

Um quilo de pensamentos
Uma grama de felicidade
Um quilometro de sentimentos
Uma estrada sem destino
Uma mochila vazia
Uma alma sozinha
Um andarilho confuso

Não quero escrever sem sentido
Achando que aquela palavra
Não completa esta frase
Quero sair correndo
Não por sua causa
Mas por minha

Você saiu de sua terra
E eu nem sai de casa
Será que tudo isto
São meus pés fincados
E minha mente equilibrada

Me desculpe
Mas tenho tudo
Tenho mãe, pai, mestre, amor
Companheiros da vida
Colegas de caminhada
Amigos confusos

Será que preciso de um copo alcoólatra
Fugindo entre meus dedos
Batendo nos muros
Atravessando os sinais

Ou preciso de um jardim
Com uma grama molhada
Que meus dedos sintam minha fusão com a natureza

Essa ela
Que me pare
Que me enterra
E nunca é dada valor.

DE CASA PARA O MUNDO

Santo da casa não faz milagre
Bem já diz o ditado
Já tentei arrumar a casa
Fazer uma limpeza espiritual
Mas santo de casa não pega na vassoura

Faço de tudo
Lavo, passo, cozinho
Até dou banho nos cães
Ponho a criança para dormir
Se quer saber
Sábado à noite
Nem vou me divertir
A casa não pode ficar sozinha

Mas quer saber de uma coisa
Amanhã vou embora
Para nunca mais voltar
Vou andar pelo mundo
Conhecer novas histórias
Abrir a mente, os braços e o coração

Talvez eu salte de pára-quedas
Mergulhe em alto-mar
Entre em contato com quem já se foi
Passe à tarde com quem tenho medo

Talvez eu voe com os pássaros
Nade com os tubarões
Conheça meus ancestrais
Tire uma sesta com os leões

Não se preocupe
Dormirei no relento
Comerei quando der
Banharei quando puder

Estarei ocupada com minhas novas histórias
Com meu novo povo

Não terei casa
Não terei dinheiro
Não terei ganância
Não terei angústias

Terei o mundo
Terei valores
Terei sentimentos
Terei eu

segunda-feira, 27 de junho de 2011

CANSAÇO

Tanta coisa acontecendo, e eu aqui
Pois é, quanto aconteceu e eu vivi

Pior é que...
Quanta coisa aconteceu
Eu vivi e nem senti

Melhor seria
Ter pensado menos
Ter vivido mais
Agora não estaria preocupada com o que vai acontecer

Seja na segunda, sexta ou domingo
Até no sábado
Ah! No sábado começa cedo e termina tarde

O que?
O que acontecerá

Quando irei mudar a ordem dos fatores
Meu relógio não ter futuro
Meu andar não ter destino

Melhor será quando poderei organizar meu dia
Não gastar meu repertório
Não viver preocupada
A ponto de não saber por onde começar
Com tão pouca coisa para fazer
E tantos sonhos para idealizar

Pois é
Quanta coisa acontecendo e eu aqui
Preocupada com o que está acontecendo
Não vivendo
Achando que estou sobrevivendo
Da brisa,
Do ar gelado
Do vento parado

Este barulho que me incomoda
Não te incomoda

Na verdade,
Só me faz pensar
Quantos tambores estão batendo
E eu aqui sentada, sentindo o tempo passar
Não podendo andar
Não podendo bailar
Sobrevivendo do conhecimento que um dia acaba
Ou cansa.

ENXAQUECA

Um dia escrevi sobre várias coisas que me deixam confusa e irritada
Querendo saber até quando terei que ser algumas coisas que não sou

Um tempo já se passou
E ao invés de obter respostas,
Novas perguntas surgiram
E outras ficaram tão profundas
Que atravessou meu imaginário e não voltou.
Será que um dia elas voltam?
Será que virão respondidas ou continuarão sem respostas?

Sinto uma dor de cabeça inconstante
Tem hora que penso que são meus olhos
Cansados da tarefa rotineira que eles realizam
Tem hora que penso que ando tomando muito café
Alterando meu sistema nervoso
Me mostrando que não tenho controle
Tem hora que penso que estou dormindo pouco
Mas deito cedo e acordo tarde
E ela continua aqui

A dor de cabeça, às vezes me dá um sossego
Mas quando ela volta, volta daquele jeito
Me tirando o animo para idealizar e realizar

Leio na revista que a tal dor de cabeça pode ser uma enxaqueca
E que a maioria das pessoas que sentem são mulheres. Sou mulher.
Talvez seja a resposta para a minha tal dor de cabeça
Que não quer ir embora

Pelo contrário
Quer se alojar no meu peito
Pressionar meu coração
Pedir um afago das mãos
E ser olhado por mim

Será que essa enxaqueca é a da revista?
Ou é a dor de sinto enquanto escrevo esse poema?

quinta-feira, 31 de março de 2011

REVOLTA E DESABAFO

Por que preciso me revoltar para falar que isto tudo não tem dono?
Que minha terra não tem fronteiras.
Ordenas o que ordenas.
Decretas o que decreta.
Oprime.
Reprime.
Mutila.
Mata.
Assassina.
Até enterra.
Não me pergunta.
Nem a mim nem aos seus conselheiros.
Sentimental ou fiscal.
Por que ocupas?
Por que destrói.
Por que tiras meu sustento?
Se fosse só o meu!
O meu e o do seu vizinho.
Seja ele rico ou pobre.
Por que me oprime?
Te faz feliz?
Ou é apenas um sorriso sarcástico que vejo em seu semblante?
Não se ocupe com o que eu me preocupo, mas se preocupe com que eu me ocupo.
Para fazer o que eu faço, pensar o que eu penso.
E até ser o que sou exige um pouco mais de integridade.
Pode parecer impetulância, mas é só um desabafo.
Não se preocupe com a carapuça, às vezes não é para você.
Documente meu momento de liberdade e ousadia.
Falo.
Escrevo.
Me expresso.
Me liberto.
Sem medo do ontem.
Sem nome ou codinome.

quinta-feira, 10 de março de 2011

POR FAVOR, ME ESCUTE

Não sei o que é preciso fazer para você me entender
Já disse que não quero ser menos do que imagino
Repeti várias vezes
Mas você não entendeu
Quero aprender a sobreviver com a cara e coragem
Ser ousada, mesmo não sabendo fazer tudo certo
Acreditando que uma hora vai ficar excelente
Para romper barreiras, às vezes necessário sofrer
E encarnar a personagem otimista
E convidar as demais para uma grande festa
Desculpe-me se faltou fazer algo
Até mesmo se fiz, mas não atingi suas expectativas
Peço paz no coração para continuarmos caminhando
Escrevendo nossa história que não é só sua ou minha
Estou tentando ter paciência, esperando as coisas acontecerem


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ATÉ QUANDO ...

Até quando as pessoas vão preferir acreditar no que os olhos vêem e os ouvidos ouvem, quando a verdade está no que sentimos?
Ou preferir se autodestruir numa falsa autoconstrução?
Ou ser alguém que não é e ter aquilo que não é para ser tido?
Querer o próprio crescimento é exigir de si, mas ser o outro é achar que o reflexo do espelho não é a própria imagem
Acho que em tudo e para tudo ...
nada tem a ver com gênero, raça, crença, tribo, se tenho esperança ou não.
Mas até quando vou me preocupar em escrever e descrever meus sentimentos mais íntimos, enquanto para quem escrevo não interessa?
Utilizar de rancores e tristezas para aflorar os sentimentos e exalar o que não quero para mim e para meu próximo?
Se quando estou feliz, não encontro tempo para escrever sobre minha felicidade.
Por que quando estou triste, sempre penso que a vida é uma poesia?
 Além de que...
Não posso perder este momento para me expressar em linhas tortas ou retas.
Será que para mim a tristeza é o melhor dos sentimentos?
Com ela consigo refletir meus mais intensos sentimentos, que no dia-a-dia sempre deixo para amanhã.
Até quando vou precisar ver a chuva bater em minha janela, ou ver o sol nascer e ir embora para sentir inspiração?
Até quando ...?
Até quando vou querer que as pessoas sejam iguais, ao ponto de sorrirem para o que eu sorrio e chorar pelo que eu choro?
Até quando vou precisar encontrar numa tradição a resposta para os problemas, enquanto faço de tudo para tentar entendê-las?
Até quando vão utilizar da vaidade para me violentar?
Sendo mulheres-girafas, usando argolas douradas nos tornozelos, pulsos e pescoços Ou atar meus pés para usar sapatos arqueados para ser feminina como uma flor-de-lótus?
Até quando vou ter que mutilar a mãe natureza para evoluir e deixar filhos e filhas sem proteção natural?
Até quando vou ter que ser oprimida pela ditadura do outro e deixar de ser eu e colaborar com ele?
Até quando vou ter que aprender através da dor e ser alguém de sucesso com dinheiro no bolso?
Até quando vou aceitar a submissão em troca da paz e deixar de defender o que acredito e ser seguidor de um valor que não faz parte de mim?
Na verdade ... eu só queria saber até quando vou perguntar “Até quando?”